Tratamento do câncer de próstata: qual é o papel do oncologista clínico

Novembro é o mês de conscientização sobre a saúde do homem. Para quem já recebeu o diagnóstico de câncer de próstata, e para a família que acompanha esse momento, a campanha tem um significado especial: é a oportunidade de entender melhor o tratamento e cada profissional envolvido nele.

Neste artigo, explicamos como o tratamento do câncer de próstata é organizado, qual é o papel do oncologista clínico e como a família pode contribuir nesse cuidado.

O câncer de próstata em números

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de próstata é o tipo mais frequente entre os homens no Brasil. A estimativa para o triênio 2026–2028 é de cerca de 77.920 novos casos por ano, o que corresponde a 30,5% dos casos de câncer estimados entre os homens.

Esses números mostram a importância de falar sobre o tema com clareza. Informação de qualidade ajuda o paciente a participar das decisões e a seguir o tratamento com mais segurança.

Como o tratamento é definido

Não existe um tratamento único para o câncer de próstata. A escolha depende de fatores como:

  • o estágio da doença, ou seja, se o tumor está restrito à próstata ou se atingiu outras regiões do corpo;
  • as características do tumor, avaliadas por exames de imagem, laboratoriais e pela biópsia;
  • a idade e a saúde geral do paciente;
  • as preferências do paciente, discutidas com a equipe médica.

Entre as opções possíveis estão o acompanhamento ativo, a cirurgia, a radioterapia, a hormonioterapia e a quimioterapia. Em muitos casos, essas abordagens são combinadas. A indicação é sempre individual.

Um tratamento feito em equipe

O cuidado com o paciente com câncer de próstata envolve diferentes especialistas:

  • Urologista: participa do diagnóstico e pode indicar a cirurgia ou o acompanhamento ativo.
  • Radio-oncologista: planeja e acompanha a radioterapia, quando indicada.
  • Oncologista clínico: planeja o tratamento sistêmico e acompanha a evolução do paciente.
  • Equipe multiprofissional: enfermagem, nutrição, psicologia e fisioterapia apoiam o paciente em diferentes aspectos da rotina.

Esse trabalho conjunto permite que cada decisão leve em conta todas as dimensões do paciente.

O papel do oncologista clínico

O oncologista clínico é o médico especialista no tratamento do câncer com medicamentos. No câncer de próstata, ele atua principalmente quando há indicação de tratamento sistêmico, que age no organismo como um todo.

Entre as suas funções estão:

  • Avaliar o caso em conjunto com os demais especialistas e indicar o tratamento sistêmico quando necessário.
  • Conduzir terapias como a hormonioterapia, que reduz a ação dos hormônios masculinos sobre o tumor, e a quimioterapia, quando indicadas.
  • Acompanhar a resposta ao tratamento por meio de consultas e exames periódicos, como a dosagem do PSA.
  • Orientar sobre os efeitos do tratamento e ajudar o paciente a lidar com eles, para preservar a qualidade de vida.
  • Acompanhar o paciente a longo prazo, inclusive após o fim de uma etapa do tratamento.

Qualidade de vida durante o tratamento

Alguns tratamentos podem causar efeitos como cansaço, ondas de calor, alterações de humor e mudanças na disposição física. Cada pessoa reage de forma diferente.

Algumas atitudes ajudam no dia a dia:

  • manter uma alimentação equilibrada, com frutas, verduras, legumes e proteínas;
  • beber água ao longo do dia;
  • praticar atividade física com orientação da equipe;
  • relatar ao médico qualquer sintoma novo ou desconforto;
  • buscar apoio emocional sempre que sentir necessidade.

Prevenção e diagnóstico precoce

O oncologista clínico também tem papel na orientação sobre saúde. Alguns fatores aumentam o risco de câncer de próstata, como a idade, o histórico familiar da doença e o excesso de peso.

Manter hábitos saudáveis e realizar consultas médicas regulares são atitudes importantes. A decisão sobre exames de rastreamento deve ser conversada com o médico, que avalia os benefícios e os riscos para cada homem.

Como a família pode ajudar

O apoio da família faz diferença durante o tratamento. Algumas formas de ajudar:

  • acompanhar as consultas sempre que possível;
  • anotar as dúvidas e levá-las para o médico;
  • ajudar a organizar a rotina de medicações, alimentação e exames;
  • respeitar o tempo e os sentimentos do paciente;
  • cuidar também da própria saúde e pedir apoio quando necessário.

Conclusão

O tratamento do câncer de próstata é individual e feito em equipe. O oncologista clínico conduz o tratamento sistêmico, acompanha a evolução do paciente e orienta sobre cada etapa, sempre em conjunto com os demais especialistas.

Neste Novembro Azul, a Oncovida reforça o convite: converse com o seu médico, tire suas dúvidas e envolva a família no cuidado. Informação também faz parte do tratamento.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Cada caso é único: converse com a sua equipe de saúde.

Fonte dos dados: Instituto Nacional de Câncer (INCA) – Estimativa 2026–2028: incidência de câncer no Brasil.

RT Dr. Marcus Magnus Sampaio – CRM GO 7378 | RQE 2374/2375/2571

Foto de Dr. Marcus Magnus Sampaio CRM/GO 7378 RQE 2374/2375/2571

Dr. Marcus Magnus Sampaio CRM/GO 7378 RQE 2374/2375/2571

Especialista em Predisposição Hereditária ao Câncer pelo Einstein e Mestre em Biologia com ênfase em Genética Humana pela UFG. Completou Residência Médica em Hematologia e Oncologia, além de Clínica Médica. Possui títulos de especialista em Clínica Médica, Hematologia, Hemoterapia e Cancerologia. Membro Titular da SBOC, ABHH, ASCO, e ESMO, destaca-se na oncologia clínica, focando em tratamento e pesquisa do câncer.