O Congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) está acontecendo e trazendo muitas novidades. A sessão principal é conhecida como Sessão Plenária e foi realizada em 31 de maio, reunindo alguns dos estudos mais importantes apresentados no congresso. Os trabalhos destacaram avanços em câncer de próstata, lipossarcoma, câncer de pulmão e câncer de pâncreas, reforçando uma tendência já clara na oncologia: tratamentos cada vez mais personalizados, guiados pela biologia do tumor e por estratégias terapêuticas mais precisas.
O primeiro grande destaque foi o estudo PROTEUS, em câncer de próstata de alto risco localizado ou localmente avançado. Nesse estudo, os pacientes receberam apalutamida associada ao bloqueio hormonal (ADT) ou placebo + ADT por 6 meses antes e 6 meses depois da cirurgia. Os resultados mostraram melhores respostas patológicas e melhor controle da doença com a adição de apalutamida, sugerindo que intensificar o tratamento no período ao redor da cirurgia pode beneficiar pacientes com maior risco de recorrência.


Na sequência, o estudo SARC041 trouxe uma notícia importante para o lipossarcoma desdiferenciado avançado, um tumor raro e com opções limitadas de tratamento. O trabalho avaliou o abemaciclibe, uma droga já conhecida em outros cenários oncológicos, e reforçou o potencial de abordagens dirigidas à biologia tumoral também em sarcomas raros.


O câncer de pulmão é uma doença frequente e com divisões diagnósticas que são importantes para o tratamento. A grande maioria dos cânceres de pulmão são do tipo não-pequenas células (CP-NSCLC). Neste cenário, dois estudos chamaram a atenção. O LIBRETTO-432 foi realizado em pacientes com estádios IB a IIIA com fusão em RET e mostrou que o uso adjuvante de selpercatinibe após o tratamento cirúrgico reduziu de forma importante o risco de recorrência, progressão ou morte. O estudo reforça a importância de identificar e tratar alterações moleculares específicas mesmo em doença inicial.



Já o HARMONi-6 avaliou pacientes com CP-NSCLC escamoso avançado e testou o ivonescimab, um anticorpo biespecífico contra PD-1 e VEGF, em combinação com quimioterapia. Os resultados apresentados no ASCO Post mostraram ganho em sobrevida global em comparação com tislelizumabe + quimioterapia, apontando para uma estratégia inovadora que combina bloqueio imune e inibição da angiogênese em uma única molécula.



Por fim, um dos momentos mais marcantes da sessão foi o RASolute 302, em câncer de pâncreas metastático previamente tratado. O estudo avaliou o daraxonrasib, um inibidor multisseletivo de RAS (ON), e mostrou uma sobrevida global quase duas vezes maior em comparação com a quimioterapia padrão. Em uma doença historicamente tão difícil de tratar, esse resultado foi recebido com aplausos da plateia, reconhecendo um avanço de grande relevância.



Em conjunto, os estudos da plenária da ASCO 2026 reforçam que a oncologia caminha para tratamentos cada vez mais individualizados. Mais do que novas drogas, o que se viu foi a consolidação de uma nova lógica terapêutica: entender melhor a biologia do tumor para oferecer abordagens mais eficazes e mais direcionadas.


